Bolsonaro assina decreto que permite empreendimento em área de cavernas

  • 14/01/2022
(Foto: Reprodução)
Texto revoga regra de que cavernas classificadas com o 'grau de relevância máximo' não podem sofrer impactos irreversíveis. Ministério do Meio Ambiente diz que empreendimento terá que ser autorizado e fazer compensação ambiental. O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta quinta-feira (13) um decreto que autoriza a construção de empreendimentos considerados de utilidade pública em áreas de cavernas. O decreto trata da chamada cavidade natural subterrânea, como cavernas, grutas e abismos. O texto revoga a proibição de que as que tenham o grau de relevância máximo sofram impactos negativos irreversíveis. Nesse caso, está prevista autorização dos órgãos ambientais competentes e compensações ambientais por parte dos empreendedores. Também não pode haver a extinção de espécie que habita a cavidade impactada. Em caso de autorização, o empreendedor deverá adotar medidas e ações para assegurar a preservação de cavidade natural subterrânea com atributos ambientais similares àquela que sofreu o impacto e, preferencialmente, com grau de relevância máximo e de mesma composição de rochas. Cavernas do Parque Estadual de Campinhos abrigam formas esculpidas há milhares de anos, na RMC Arnaldo Alves/AEN Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o texto assegura que a exploração só pode ocorrer desde que haja proteção equivalente, chegando a exigir a compensação em dobro. Além disso, afirma que a nova legislação mantém a necessidade de licenciamento prévio de todos os empreendimentos e a proibição de supressão de cavidades com material de destacada relevância histórico-cultural e religiosa. Segundo a pasta, o decreto cria a possibilidade de investimentos em projetos estruturantes fundamentais, geradores de emprego e renda, como rodovias, ferrovias, mineradoras, linhas de transmissão e energias renováveis, garantindo, ao mesmo tempo, a proteção das cavidades. “O objetivo do governo federal é trazer segurança jurídica para ambientes favoráveis ao desenvolvimento econômico, mantendo a preservação do meio ambiente por meio de uma legislação considerada entre as mais protetivas do mundo”, diz o ministério. Notas de repúdio A Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) e a Associação Nacional de Servidores da Carreira de Especialista de Meio Ambiente (Ascema Nacional) divulgaram nesta sexta-feira (14) notas de repúdio ao decreto. A SBE disse que medida traz diversos retrocessos, entre eles, a possibilidade de que o órgão ambiental licenciador autorize a destruição total ou parcial de cavernas de máxima relevância por atividades ou empreendimentos considerados “de utilidade pública”, que não possuam alternativas técnicas e locacionais viáveis. A entidade afirma que o texto “foi produzido a portas fechadas, sem diálogo com a comunidade espeleológica e, claramente, mostra a interferência direta dos Ministérios de Estado de Minas e Energia e de Infraestrutura em uma matéria que é de interesse ambiental”. Segundo a SBE, a “interferência visa à facilitação de licenciamento de obras e atividades potencialmente lesivas ao patrimônio espeleológico nacional e que, geralmente, estão associadas a atividades de alto impacto social”. Já a Ascema Nacional afirmou que o decreto é uma "ação autocrática da Presidência da República, que desconsidera as discussões e posicionamentos técnicos da área especializada em pesquisa e conservação de cavidades, no âmbito da área ambiental federal". Ainda, segundo a associação, “análises técnicas já destacavam os riscos para a biodiversidade e geodiversidade, caso se liberasse a supressão de cavidades de máxima relevância”. Ação na Justiça Federal O senador Fabiano Contarato (PT-ES) apresentou nesta sexta-feira (14) uma ação na Justiça Federal, no Distrito Federal, em que pede a suspensão imediata dos efeitos do decreto presidencial e, posteriormente, a anulação da medida. Para Contarato, o decreto viola a Constituição ao permitir "retrocessos" ao meio ambiente. Além disso, o senador alega que a medida só poderia ter sido tomada por meio de lei discutida e aprovada pelo Congresso. Em outra frente, o senador apresentou um projeto no Senado com o objetivo de sustar os efeitos do decreto assinado por Jair Bolsonaro. O texto, contudo, só poderá ser analisado após o fim do recesso parlamentar, em fevereiro. VÍDEOS: veja mais notícias de política

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/01/14/bolsonaro-assina-decreto-que-permite-empreendimento-em-area-de-cavernas.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Essa casa é sua

Casa Worship

top2
2. Aquieta Minh'alma

Ministério Zoe

top3
3. Não pare

Midian Lima

top4
4. Ninguém Explica Deus

Preto no Branco

top5
5. Deus proverá

Gabriela Gomes

Anunciantes